sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ao meu avô.

Saudades,

Como eu sinto sua falta.

Eu tenho medo de me esquecer de tudo.

Esquecer das suas brincadeiras comigo, dos dias que passamos juntos. Esquecer da sua imagem, dos seus olhos calmos, de como roubaca no truco discaradamente e depois ria de mim, dos balanços que fez para mim naquela mangueira no seu quintal. Eu tenho medo de me esquecer de quando íamos pescar e você fisgava o peixe e passava a vara pra mim pra eu ganhar da mamãe e da Lilinha na competição de pesca (e sua cara engraçada quando fazia isso, parecia outra criança).

Tenho medo de esquecer quando você me dava dinheiro escondido da mamãe, e aquilo era tudo para mim, a maior alegria por ganhar R$5,00. Era do meu avô, a pessoa mais importante do mundo. Meu herói, meu super-herói.

Tenho medo de me esquecer de como o mundo era bonito quando eu estava em seus ombros... ver a Terra em cima dos seus 1,97m. era demais. Que saudade.

Eu sinto tanta a sua falta. Falta do seu carinho, do seu amor, da sua atenção, do seu jeito doce comigo. Sinto falta de escrever para você como fazia aos 5 anos de idade, como era gostoso escrever “ Eu te amo”. Sinto falta da paz de estar com alguém que realmente me amava, e não só me amava, mas me tinha como preferida, a mais querida. Talvez não fosse mas era assim que eu me sentia.

Os dias vão passando e tanta coisa acontece, tantas pessoas a gente conhece, tantos sons, cores e vidas que surgem que eu tenho realmente medo de esquecer o quanto foi bom ter você aqui. Eu quase não me lembro mais o som da sua voz e isso me faz chorar, porque como eu posso esquecer isso? Você que era a pessoa mais importante na minha vida. Mas sua risada ainda soa dentro de mim, aquela risada cansada, de quem já viveu muito e que é feliz.

Que o Senhor possa estar tomando conta de ti por mim todos os dias. Que a vovó possa agora lhe fazer companhia, como o fez por 58 anos. E que um dia nós possamos todos nos reencontrar para vivermos eternamente juntos.

EU AMO VOCÊ!